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Professora da Estácio FIB alerta para o equilíbrio nutricional na dieta vegana
O veganismo tem se tornado uma tendência, no entanto, é preciso manter uma alimentação balanceada, para evitar o déficit de vitaminas, como a B12
 
O veganismo tem atraído um número cada vez maior de adeptos, seja por questões de saúde ou filosóficas. Os veganos, ou vegans, modo como são chamados os adeptos desse estilo de vida, por razões éticas não consomem qualquer produto de origem animal e geralmente dão preferência a alimentos produzidos de forma orgânica.

De acordo com a professora do curso de Gastronomia da Estácio FIB, Joseni Lima, estudos recentes têm relacionado os processos de envelhecimento do corpo com o consumo de alimentos de origem animal. “Alimentos refinados e industrializados de modo geral acidificam o sangue, tornando o indivíduo propenso a doenças. Já os alimentos de origem vegetal são fortalecedores dos sistemas imunológico e linfático”, destaca. Ela ressalta que o veganismo tem se tornado uma tendência, com adesão de um número cada vez maior de pessoas no Brasil.

No entanto, Joseni adverte que aderir à prática exige cuidados redobrados com a alimentação e acompanhamento nutricional. “Quem deseja adotar esse modelo de alimentação deve buscar consultar um médico ou nutricionista, para cuidar e acompanhar os índices sanguíneos e a saúde em geral”, recomenda a professora. Ela aconselha ainda que a mudança seja gradativa, passando por fases intermediárias, como, por exemplo, a dieta ovo lacto vegetariana.

Dieta equilibrada e suplemento vitamínico

Joseni Lima ensina que os vegans devem manter uma alimentação diversificada, contendo sementes, castanhas, brotos e leguminosas, combinadas com cereais integrais. Para a professora, o maior desafio dessa dieta é a obtenção de vitamina B12, que deve ser avaliada anualmente e suplementada de forma medicamentosa, caso necessário.

A professora e bailarina de Tribal Fusion, Iasmim Salume, 19 anos, há um ano e dois meses adotou a dieta vegana. Ela conta que desde criança tinha resistência em comer carne bovina. “Algum tempo após aderir à dieta ovo lacto vegetariana, uma amiga me trouxe informações sobre o veganismo. Comecei a assistir palestras e ler artigos sobre o assunto e senti a forte intenção do amor e respeito, como uma verdade absurda dentro dessa proposta, por isso cortei definitivamente os derivados de animais da minha alimentação”, relata.

A bailarina diz que só sentiu melhorias ao aderir a esse modo de vida. “Eu faço bastante atividade física ao longo do dia e meu corpo responde de uma forma muito eficaz. Ao restringir a maioria das opções do meu cardápio, fui redescobrindo a alimentação. Meu corpo foi desintoxicando de muitas substâncias e os sabores da maioria dos alimentos que meu paladar não aceitava anteriormente se tornaram muito saborosos e sutis. Tudo isso foi se alinhando juntamente com a minha visão de mudança de padrões sociais impostos e repassados como verdades”.

Já a jornalista Kátia Monteiro afirma que sempre rejeitou carne, devido ao amor que sente pelos animais. “Desde pequena ficava horrorizada ao ver carne no meu prato, pois sempre pensava que estava comendo os meus amigos. Então eu sempre comia o feijão, o arroz e as verduras e deixava a carne de lado”, conta. Ela que há 25 anos é ovo lacto vegetariana diz que a filosofia budista foi essencial para essa mudança de hábito. “Aos 11 anos eu lia muito sobre a filosofia budista, que prega o respeito aos animais. Não sou budista, mas amo a filosofia dessa religião”.

Kátia diz que foi fácil mudar os hábitos alimentares, pois além do respeito aos animais, seu organismo sempre teve dificuldade para digerir carne e derivados. “Quando me tornei ovo lacto vegetariana minha vida mudou para melhor, em relação à saúde, mas acima de tudo espiritualmente. Pois ao não comer carne eu deixava de compactuar com a crueldade cometida com os animais”, expõe.

Para a jornalista a principal dificuldade durante a mudança de hábito alimentar foi encontrar alimentos voltados para os vegetarianos. “Na década de 80, o vegetarianismo não era muito difundido, então era muito difícil encontrar produtos, mas hoje muitas empresas já estão se especializando em alimentação vegana, pois está se tornando uma tendência”.

Iasmim também reclama da dificuldade de encontrar produtos voltados para este público disponível em Salvador. “Eu criei muita afeição por cozinhar, após ter mudado meus hábitos alimentares e às vezes algumas reposições de receitas já existentes ficam complicadas, por não haver os produtos aqui em Salvador”, declara. Para substituir a proteína animal, ela diz que come muita quinoa, espirulina e toma bastante suco verde.

Kátia está modificando a sua alimentação para se tornar vegana. “O verdadeiro defensor dos animais tem obrigação de abolir não só a carne, como qualquer derivado da sua alimentação. Me tornei ovo lacto vegetariana primeiro, pois não sabia como fazer uma dieta vegana balanceada” afirma. Ela conta que não usa nenhum produto de origem animal ou que utilize animais em testes e que agora se sente segura para aderir à alimentação vegana. “Esses anos estudando sobre o assunto fizeram com que eu adquirisse segurança para me tornar vegana e ter saúde”, complementa.

Origem

A origem do veganismo não é específica. “Os Criacionistas acreditam que esse é o plano original de alimentação para o ser humano. Outros grupos religiosos como os Adventistas do Sétimo Dia, budistas e seguidores de movimentos teosofistas têm adotado a dieta vegana”, afirma a professora da Estácio FIB, Joseni Lima.

Outros grupos que também aderiram ao veganismo são os ativistas de movimentos ecológicos como o Green Peace e o Instituto Nina Rosa e adeptos do Movimento Nova Era.

Artistas de uma forma geral também são grandes defensores do veganismo. Paul McCartney, Fernanda Lima, Richard Gere, Penélope Cruz e Natalie Portman são alguns exemplos